Durante a transição para a menopausa, muitas mulheres notam um aumento de gordura abdominal. A nutricionista Manoela Figueiredo explica que o fenômeno está ligado não só às mudanças hormonais, mas também ao envelhecimento natural e ao estilo de vida de cada mulher.
“Com a queda do estrogênio, hormônio que regula processos metabólicos, o corpo feminino fica mais suscetível ao acúmulo de gordura. Não é uma sentença de que a menopausa vai dar esse ganho, mas é um efeito muito comum. Estudos mostram que pelo menos 50% das mulheres passam por isso”, destaca Manoela.
Segundo a especialista, existe uma média de ganho de 1,5 kg por ano durante a perimenopausa, grande parte concentrada na região abdominal. Esse processo está associado também à perda de massa magra, o que reduz a taxa metabólica e facilita o aumento de gordura corporal. Mas não se trata de redistribuição.
“Ganhar peso e ganhar gordura são coisas diferentes. Uma mulher que treina bastante pode ganhar peso por aumentar a massa muscular, e não gordura. No caso da menopausa, trata-se mais de acúmulo de gordura abdominal do que de uma simples redistribuição pelo corpo”, explica a nutricionista.
Cuidado: não é só questão de estética
A especialista reforça que é possível, sim, amenizar os efeitos. A chave está em hábitos consistentes: “Uma alimentação equilibrada, sem dietas restritivas, com boa ingestão de proteínas e carboidratos de qualidade. Também é fundamental fazer atividades físicas regulares, unindo exercícios aeróbicos e musculação para preservar a massa magra, e reduzir a ingestão de álcool e açúcares”, recomenda Manoela.
Mesmo que a barriga extra não incomode visualmente, o acúmulo de gordura visceral exige atenção. “Esse desequilíbrio na composição corporal precisa ser cuidado por várias questões de saúde: risco cardiovascular, resistência à insulina que pode evoluir para diabetes tipo 2, e até impacto na saúde óssea.”
Embora a terapia de reposição hormonal seja indicada em alguns casos, Manoela faz questão de desfazer um mito: “A reposição hormonal não é uma fórmula mágica nem deve ser prescrita com o objetivo de emagrecer. Ela pode contribuir discretamente para a composição corporal, mas não substitui hábitos de vida saudáveis”, explica.
E o lipedema? O que tem a ver com a menô?
Por falar em gordura localizada… você já deve ter ouvido falar em lipedema, né? Nos últimos anos, a condição, caracterizada pelo acúmulo simétrico e doloroso de gordura nas pernas, poupando os pés, passou a ganhar mais atenção. Isso porque, além de sua recente inclusão na Classificação Internacional de Doenças (CID), em 2022, celebridades como a modelo Yasmin Brunet passaram a falar abertamente sobre ela.
“Até 2022, o lipedema não tinha um CID para chamar de seu. A formalização do diagnóstico, somada à repercussão na mídia, fez a doença finalmente ganhar destaque”, explica a endocrinologista Nathalia Dal-Prá.
E a gente aproveita para te alertar: a menopausa é uma fase de maior risco para a piora dos sintomas. Isso acontece porque o lipedema tem forte sensibilidade às variações hormonais, especialmente de estrogênio e progesterona. “O lipedema piora em fases de transição hormonal, como a menopausa, e também com o ganho de peso”, afirma.

Não tem cura, mas dá para controlar
O lipedema é uma condição crônica. Por isso, o objetivo não é a cura, mas sim o controle da inflamação e dos sintomas ao longo da vida. “Quando falamos em lipedema, falamos em tratamento contínuo, de manutenção. O estilo de vida da paciente influencia muito no prognóstico”, destaca Dra. Nathalia.
Especialmente para mulheres na menopausa, a endocrinologista diz que o tratamento deve combinar alguns fatores importantes:
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Alimentação anti-inflamatória, preferencialmente baseada na dieta mediterrânea ou cetogênica, evitando excesso de gorduras saturadas, glúten e farináceos. A dieta cetogênica tem respaldo científico no tratamento do lipedema, pois estimula a produção de resveratrol, um potente antioxidante anti-inflamatório;
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Exercícios físicos regulares, preferencialmente de baixo impacto, para estimular retorno venoso e preservar articulações;
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A drenagem linfática semanal é super indicada. Ela ajuda a reduzir inchaço e desconforto;
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Invista também na suplementação direcionada com antioxidantes (resveratrol, coenzima Q10, ácido alfa-lipóico), flavonoides (diosmina, hesperidina, quercetina) e, quando indicado, metformina;
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Para finalizar, há ainda o tratamento hormonal individualizado, para corrigir a predominância estrogênica.
Conhecer seu corpo é o primeiro passo para cuidar melhor dele. Consulte seu médico se tiver qualquer sintoma. O aumento de gordura abdominal pode ser sinal de alguma questão de saúde. E lipedema não tem cura, mas tem controle.
Para quem gosta de boas histórias que fazem pensar:
Livro: Análise, Vera Iaconelli (Zahar)
Vera faz um relato íntimo sobre sua trajetória na psicanálise, explorando traumas familiares, a morte de dois irmãos e o relacionamento com os pais. A narrativa mistura memória, história e psicanálise, questionando o que nos leva à terapia. De ler numa tacada só. Inclusive, já falamos dele no TerapiRa.
