Quando falamos em menopausa, é comum consideramos que esse será um tema com o qual teremos que lidar depois dos 40, né? Mas você sabia que cerca de 30 milhões de mulheres têm que olhar para essa fase antes disso? Pois é o que mostram dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Para algumas delas, a razão para isso é o tratamento contra o câncer de mama, que pode induzir o início da menopausa. E nós precisamos falar sobre isso.
Causas da menopausa precoce
A menopausa é considerada precoce quando a mulher para de menstruar antes dos 40 anos devido à perda da função ovariana e, consequentemente, a queda dos hormônios femininos, como estrogênio e progesterona. Isso pode acontecer de forma natural, por questões genéticas ou autoimunes, mas também pode ser uma consequência de tratamentos médicos.
Patrícia Valentini Melo (@dra.patriciavalentinimelo), ginecologista e mastologista, explica que alguns tipos de quimioterapia podem levar à menopausa transitória – quando a pessoa perde a função ovariana apenas durante o tratamento – ou definitiva.
Além disso, os tumores com receptores hormonais positivos podem ser tratados com a terapia endócrina, que utiliza medicamentos para bloquear ou reduzir os hormônios que estimulam o crescimento do câncer.
“Neste caso, o uso de medicamentos que bloqueiam a ação ou a produção do estrogênio acaba reproduzindo o estado da menopausa. Os sintomas costumam ser os mesmos da menopausa natural, como ondas de calor, alterações de humor, insônia, queda da libido e ressecamento vaginal, mas podem ser mais intensos, já que a queda hormonal é mais abrupta”, explica a médica.
Relato de quem sentiu na pele
Iza Dezon (@izadezon), especialista em tendências e inovação, foi diagnosticada com câncer de mama em 2024. Parte do tratamento incluiu a menopausa induzida aos 37 anos. Ela nos contou que, se tudo der certo, terá três menopausas ao longo da vida.
“Apelidei de múltiplas menopausas. Ainda não tive filhos e tenho muito desejo de ser mãe. A médica me explicou que terei dois anos, dois anos e meio, de menopausa induzida, depois voltarei a ciclar para engravidar. Depois, terei outra menopausa induzida para concluir o tratamento, que é um ciclo de cinco anos, e terei tempo para entrar na menopausa aos 50 e poucos como as mulheres da minha família.”
Ela relata ter passado pelos sintomas clássicos da menô, como ondas de calor, mudanças no humor, metabolismo mais lento e, até hoje, o brain fog está deixando a cabeça um pouco atrapalhada. No entanto, ela também descobriu maneiras de lidar com eles (o vídeo está no nosso feed, vem ver!).

Como aliviar os sintomas
Existem maneiras seguras e eficazes de aliviar os sintomas da menopausa induzida e passar por esse processo com mais bem-estar e qualidade de vida. Segundo a Dra. Patrícia Valentini Melo, atividade física regular, alimentação anti-inflamatória, sono de qualidade e manejo do estresse ajudam a equilibrar o metabolismo, reduzem ondas de calor e melhoram o humor e o sono.
“Também existem fitoterápicos e medicamentos não hormonais, prescritos por médicos, que aliviam fogachos, suores noturnos e alterações do sono sem estimular os receptores de estrogênio”, explica.
Já o ressecamento vaginal e o desconforto sexual podem ser tratados com hidratantes e lubrificantes vaginais não hormonais ou cremes vaginais a base de estriol, estradiol ou prasterona. Além disso, tecnologias como laser íntimo estimulam o colágeno e melhoram a lubrificação da região, sendo aliadas nessa fase.
E lembre-se sempre de que o diagnóstico precoce do câncer de mama salva vidas. Faça o exame de toque regularmente e não deixe de fazer o check-up pelo menos uma vez ao ano com seu médico de confiança.
Para pensar sobre hormônios, perimenopausa e menô:
Livro: Perimenoquê?, Isabela Fortes (Intrínseca)
Especialista em saúde holística, a autora mergulha no universo da perimenopausa e dos hormônios após os 40. O livro nos incentiva a reavaliar hábitos, observar melhor mudanças corporais e lidar com mais facilidade com os sintomas que podem interferir demais no dia a dia e na autoestima – afinal, sabemos que tudo pode mudar nessa fase, né?

Livro: O cérebro e a menopausa, Lisa Mosconi (Harper Collins)
A neurocientista especializada em saúde da mulher revela como o cérebro tem um papel fundamental no que sentimos na menopausa (spoiler: nem sempre é culpa só dos hormônios). Ela sugere hábitos para termos mais bem-estar nessa fase e defende que podemos terminá-la com o cérebro ainda melhor e renovado.
