Quando passamos dos 40, qualquer irregularidade no ciclo menstrual acende um alerta para a menopausa. O que muitas de nós ainda não sabem é que outras mudanças também podem indicar a chegada da perimenopausa – a fase que antecede a parada completa do ciclo menstrual e que também provoca diversas alterações no corpo. Saber identificá-las é fundamental para buscar orientação médica na hora certa, já que um profissional pode indicar o melhor protocolo para aliviar possíveis desconfortos. Vem com a gente descobrir tudo sobre essa fase da vida!
Perimenopausa e menopausa não são a mesma coisa
Primeiro, é importante entender que a perimenopausa é uma fase de transição, marcada pelas flutuações nos níveis hormonais, principalmente da progesterona e do estrogênio. É por causa dessas oscilações que um dos sintomas mais comuns é o ciclo menstrual irregular. Mas, atenção: nem toda menstruação irregular é sinônimo de perimenopausa.
“Problemas da tireoide, miomas, pólipos ou até o estresse também podem alterar o ciclo. Por isso, se o padrão menstrual mudou, vale investigar”, alerta Patricia Valentini Melo (@dra.patriciavalentinimelo), ginecologista e mastologista.
Em geral, essa fase também apresenta outros sinais, como os clássicos fogachos e suores noturnos, de que falaremos mais a seguir.
Já a menopausa é quando a mulher, de fato, completa um ano sem menstruar devido à queda acentuada na produção hormonal.
Sono e cérebro não são mais os mesmos
Outro sintoma muito comum da perimenopausa são as alterações no sono, como insônia e despertares noturnos (aquela acordadinha às 3h do nada, sabe?), além do sono mais leve. Isso acontece porque o estrogênio está relacionado à produção de serotonina e melatonina, neurotransmissores essenciais para iniciar e manter o sono.
Já a progesterona se liga aos receptores GABA, o neurotransmissor da calma, dificultando que a gente desacelere à noite. Ao mesmo tempo, o eixo HPA (Hipotálamo-Hipófise-Adrenal) fica instável, causando picos de cortisol que deixam a gente em alerta e levam aos despertares precoces, na madrugada.
No cérebro, também ocorrem mudanças que se refletem diretamente na nossa cognição. A oscilação do estradiol, hormônio que atua no metabolismo cerebral das mulheres, causa sintomas como névoa mental e lapsos de memória e dificuldade de concentração no dia a dia.
Paralelamente, o estrogênio atua como regulador emocional. Portanto, sua oscilação pode provocar alterações de humor, ansiedade e irritabilidade. E lembre-se que, apesar de ser um sintoma da perimenopausa, cuidar da mente com acompanhamento médico e psicológico é fundamental para que o quadro não se desenvolva para uma questão de saúde mental mais séria.

O que mais pode ser perimenopausa?
A incidência, frequência e intensidade dos sintomas varia para cada mulher. Em média, as mulheres entram na perimenopausa aos 51 anos, mas essa fase pode começar na casa dos 40. Ela dura, em geral, de quatro a oito anos, mas pode chegar a dez em alguns casos. Uma boa pista para entender a sua é perguntar como foi com a sua mãe!
Outras mudanças que podem indicar que a mulher está na perimenopausa são:
- Palpitações ou sensação de batimento acelerado;
- Ressecamento vaginal e dor na relação sexual;
- Queda da libido;
- Retenção de líquidos, inchaço e sensibilidade mamária.
E nós temos dicas para amenizar os sintomas!
Não existe um exame específico que determine que a mulher está na perimenopausa. O diagnóstico é clínico, baseado principalmente nos sintomas, na análise do histórico médico e, se necessário, descartando outras possibilidades. O ginecologista pode indicar alguns tratamentos que podem ajudar a amenizar os sintomas e, consequentemente, melhorar a qualidade de vida nessa fase.
“A perimenopausa é um processo natural, mas também é uma janela de oportunidade para cuidar da saúde hormonal, óssea e cardiovascular. A maioria das mulheres pode fazer a reposição hormonal com o objetivo de equilibrar as flutuações hormonais e prevenir os impactos da deficiência de estrogênio”, explica a Dra. Patrícia.
A Terapia de Reposição Hormonal (TRH) pode reduzir fogachos e suores noturnos, melhorar o sono, o humor e a disposição, diminuir ressecamento vaginal e regular o ciclo menstrual. Além disso, ela ajuda na proteção e manutenção da saúde óssea e cardiovascular. O tratamento é seguro; falamos mais sobre o tema neste post.
“Mulheres que têm contraindicação, ou que não desejam fazer a reposição hormonal, podem optar por fitoterápicos e antidepressivos leves, sempre com acompanhamento médico. A recomendação é sempre adotar um estilo de vida saudável, com alimentação equilibrada e rotina de exercícios”, afirma a ginecologista.
Agora, encaminhe essa newsletter para aquela amiga ou familiar que pode estar na perimenopausa, mas nem desconfia!
Indicações:
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